Quais seriam as consequências da vitória de Joe Biden para o mercado?

Quais seriam as consequências da vitória de Joe Biden para o mercado?

As eleições americanas estão cada vez mais próximas e, sendo investidor e/ou trader, é normal se perguntar qual será o impacto de cada uns dos candidatos no mercado e se a vitória de um ou de outro trará, na pratica, alguma diferença. O que sabemos é que a politica de Joe Biden, se ele for eleito, será diferente da que foi aplicada por Trump durante estes últimos quatro anos.

ELEIÇÕES E MERCADOS

Apesar da volatilidade do mercado deste período de pré-eleição, os investidores tentam analisar o que as sondagens e as proposições dos políticos significam realmente para o mercado. Os analistas se baseiam nas falas dos políticos sobre, por exemplo, a energia ou o incentivo à prisões privadas, e suas consequências no preço das ações.

O momento é de ansiedade e a prova disso é a alta na movimentação de ativos que investidores usam para proteger as carteiras e que apostam na volatilidade – como, por exemplo, os contratos futuros ligados ao índice de volatilidade VIX CBOE, indicador das flutuações esperadas do mercado acionário.

Esta ansiedade também esta por trás do movimento de setores que seriam afetados diretamente por uma mudança no controle da Casa Branca e do Congresso Americano, segundo os investidores.

Para fazer as suas análises, a Wall Street usa normalmente o exemplo de setores que seriam afetados pelos diferentes partidos políticos para construir possíveis parques eleitorais associados a cada um deles.

Em seguida, os analistas avaliam o desempenho que cada partido teria em cada parque eleitoral ao longo do tempo. Desta maneira, a Wall Street consegue criar uma previsão da probabilidade de vitória para novembro.

As previsões de Wall Street, a partir da analise destes parques eleitorais, mostram hoje uma vitória de Joe Biden com 60% das intenções de votos contra 40% para o atual presidente Trump. Eles afirmam que existe, entretanto, uma verdadeira dificuldade em prever os resultados reais e seus impactos nos preços do ativos.

Por conta das politicas imprevisíveis de Trump e de suas opiniões favoráveis as barreiras no comercio internacional, os investidores temiam que a sua vitória fosse prejudicar os ganhos de várias empresas. Por conta disso, os contratos de ações a termo caíram na noite das eleições de 2016. Entretanto, as ações subiram rapidamente uma vez que surgiu a perspectiva tanto esperadas da redução de impostos.

Por outro lado, a expectativa de gastos a longo prazo com infraestrutura e o aumento do rendimento dos títulos, foram revertidas nos últimos anos pelo governo Trump.

ENERGIA

O eleitorado democrata inclui empresas de energia renovável como Sunrun, NextEra Energy e Tesla. Joe Biden apresentou um plano de US$ 2 bilhões para combater a mudança climática que inclui investimentos em infraestrutura energética e incentivos  à transição para veículos elétricos.

A ETF iShares Global Clean Energy (ICLN) ETF cresceu cerca de 80% este ano graças às pesquisas recentes que confirmaram a liderança de Biden.

O ex-vice-presidente também propôs a proibição da produção de petróleo e de gás em terras e águas federais, fazendo com que os produtores de energia se tornem inevitavelmente eleitores republicanos. Este mercado de ações ficou recentemente para trás por conta de dois fatores: o coronavírus afetou os preços do petróleo e do gás e os investidores já estão esperando que os democratas assumam o controle de Washington.

Ou seja, os dois candidatos enxergam o setor energético de forma bem diferente e é por isso que existe muita expectativa em torno dele para estas próximas eleições.

A POLITICA FISCAL

Muitos investidores estão esperando aumentos no imposto corporativo. Um imposto que Trump havia baixado significativamente durante seu mandato -fazendo a alegria do mercado - poderá aumentar com Biden. Ele propôs aumentar a alíquota do imposto corporativo de 21% para 28% e também aumentar os impostos sobre a renda estrangeira de empresas americanas, cancelando parcialmente a Lei de Cortes de Impostos e Emprego de 2017.

Os analistas estimam que as políticas fiscais de Biden podem reduzir em 9% os ganhos da S&P 500, apesar de que o aumento dos gastos fiscais junto da eliminação de tarifas podem vir a compensar grande parte desta queda. O conjunto de ações que mais se beneficiou com cortes nos impostos ficou recentemente para trás, se compararmos os ganhos destas ações com as que não se beneficiaram da legislação.

No entanto, alguns investidores esperam que, independentemente de qualquer mudança de política, as taxas de juros fiquem baixas e que haja uma retomada no crescimento econômico que venha à apoiar as ações.

Sempre existe o perigo de reagir exageradamente a essas previsões e perder a visão geral da bolsas de valores.

PRISÕES PARTICULARES E AGENCIAS DE EMPRÉSTIMO ESTUDANTIL

Outra área do mercado que será influenciada, caso os democratas ganhem, é a das empresas prisionais privadas. Por conta das falas de Trump sobre a imigração ilegal e as deportações, as ações dessas empresas aumentaram em 2016 mas diminuíram em 30% neste ano a partir do momento em que Biden se comprometeu em acabar com o uso de prisões privadas por parte do governo federal.

Biden também quer cancelar grande parte da dívida estudantil federal de US$ 1,5 bilhões. É esta vontade que explica a queda das ações de empresas de empréstimo estudantil, pois elas podem estar sujeitas a regulamentações mais rígidas no futuro. Tudo isso acaba sinalizando uma vitória democrata.  

As empresas prisionais privadas e as empresas de empréstimo estudantil não estão no centro das atenções ultimamente, mas são muito sensíveis à mudanças políticas.

Estas são as ações que sinalizarão o que vai acontecer nesta eleição presidencial.

ÁREAS PROBLEMÁTICAS: COMÉRCIO, INFRAESTRUTURA E ASSISTÊNCIA MÉDICA

As divergências entre os investidores surgem quando o assunto giram em torno destes três tópicos: comércio, gastos com infraestrutura e os cuidados de saúde.

Alguns investidores esperam mais clareza em relação à política comercial com a China, pois ela pode estimular ações de empresas que dependem de fluxos comerciais fluidos, como as fabricantes de semicondutores Intel Corp. e Micron Technology, por exemplo. A disputa comercial entre Trump e o governo chinês causou flutuações no mercado de ações durante grande parte de 2018 e de 2019 até o momento em que os dois países chegaram a um acordo comercial de fase 1. Biden disse que desafiará Pequim em várias pontos, mas que tentara trabalhar com os aliados dos EUA em questões comerciais.

Nos últimos meses, tanto democratas como republicanos têm defendido o aumento dos gastos com infraestrutura para reformar estradas e pontes do país. Mas o projeto de lei ainda não foi aprovado. Em 2016 e depois que Trump foi eleito, as ações de empresas de materiais de construção haviam aumentado, na esperança de que um projeto de lei de infraestrutura fosse assinado. Mas, na falta do projeto, essas ações caíram. Entretanto, alguns analistas esperam que um projeto de lei seja aprovado se Biden vencer ; fato que recentemente impulsionou algumas ações relacionadas à infraestrutura.

Os investidores também estão observando a evolução das ações na área da saúde, pois Biden disse que quer expandir o Medicare, a lei de acesso público à saúde. As perspectivas portanto ainda não são claras, pois estas mudanças podem encontrar obstáculos no Congresso.

As ações na área da saúde começaram a crescer no início do ano, pois muitos consideravam este plano menos perturbador para a indústria do que o programa de pagamento único, apoiado pelo senador Bernie Sanders e pela senadora Elizabeth Warren, de Massachusetts. No entanto, muitos não sabem como as propostas de Biden afetarão os lucros das empresas deste setor.

De qualquer forma, a imprecisão persiste em muitas áreas e, por isso, existe uma grande incerteza devido à falta de definição das políticas dos candidatos.

Última Atualização em 23/10/20

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