O Brasil está prestes a entrar numa grave crise econômica?

O Brasil está prestes a entrar numa grave crise econômica?

Em um cenário atual onde várias grandes empresas saem do país, como a Ford, Mercedes e a Sony e onde o final do auxílio emergencial devolveu milhões de brasileiros à pobreza, é mais do que normal que nos perguntemos se o país não está prestes a entrar em uma grande crise econômica.

No dia 6 de janeiro, ao voltar de suas férias o atual presidente da República Jair Bolsonaro declarou o seguinte: “O Brasil está quebrado e eu não posso fazer nada”. Entretanto, os economistas rebatem a frase dizendo que, pelo contrário, o país não “está quebrado”, mas para que isso não aconteça de verdade, o presidente precisaria reagir logo para conter a dívida que cresce dia a dia no país.

Segundo o economista Felipe Salto, diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI). :

"A situação das contas públicas é ruim, mas não se trata de 'país quebrado'. O Brasil está endividado em moeda nacional, não depende de empréstimos estrangeiros e tem reservas internacionais elevadas", disse à BBC News Brasil

Por outro lado Juliana Damasceno, economista e pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), ligado à Fundação Getúlio Vargas (FGV), explica que a tomada de algumas medidas já faria com que hoje o país não estivesse tão próximo da beira do abismo. Segundo ela,

"há ainda muitas coisas que podem ser feitas e que não foram endereçadas. E nem parecem estar dentro do radar da equipe econômica atual, em termos do que vai ser feito nos próximos meses (...) existem uma série de medidas (que poderiam ser adotadas). (Por exemplo:) uma reforma da estrutura dos gastos obrigatórios, para que a gente consiga continuar respeitando o Teto (de Gastos) de uma forma mais viável. Todas essas questões não foram colocadas em prática. Então parece que a gente esgotou todas as saídas, e isso não é verdade", diz ela.

Além disso e dentre as coisas que poderiam ter sido feitas para melhorar a situação brasileira, estão segundo a economista, a revisão de gastos públicos e de benefícios fiscais, a privatização de estatais e a famosa reforma tributária cujo texto nunca foi enviado ao congresso.

A continuação - e possível agravamento - da pandemia e da pobreza no país

Como já sabemos, o ano terminou e o auxílio emergencial também. Mas a pandemia, o desemprego, e a insegurança da população ainda são fatores preponderantes na vida daqueles que se beneficiaram do auxílio emergencial e o impacto do fim deste auxílio parece preocupar bastante os economistas.

Kristalina Georgieva, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) explica que “tirar esse salva-vidas prematuramente é um perigo em relação à pobreza e desigualdade. Retirar o apoio também prejudicaria a recuperação: até agora o que vemos é que os países que estão se recuperando de forma mais rápida, têm em comum ter conseguido controlar a pandemia, e ajudado as pessoas e as empresas”, afirmou a diretora ao jornalista Ignacio Fariza.

Monica de Bolle, economista e pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics disse ao jornal Nexo, que o fim do auxílio, vai não apenas aumentar o número de desempregados, mais aprofundar tendências de precariedade socioeconômica, que já vinham aparecendo durante o ano passado. O aumento da pobreza extrema e a volta da fome serão agora, segundo suas palavras “multiplicadas e exacerbadas pela pandemia.”

Fica em aberto o que será da popularidade do presidente Bolsonaro com o fim da ajuda emergencial que beneficiou um terço da população brasileira.

Última Atualização em 14/01/21

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