Acordo Nuclear com o Irã: O que Podemos Esperar para a Economia Mundial?

Acordo Nuclear com o Irã: O que Podemos Esperar para a Economia Mundial?

O acordo nuclear com Irã assinado em 14 de julho é de suma importância. O acordo entre o Irã e os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Alemanha, França, Reino Unido, Rússia e China) anuncia um levantamento gradual das sanções impostas ao país desde 2006 em troca da redução de sua capacidade de fabricação de armas nucleares e terá um impacto definitivo na economia mundial.

De acordo com o economista Anatole Kaletsky em um texto intitulado “A Nova Revolução Iraniana”, um dos efeitos certamente será a queda nos preços do petróleo. O país persa recuperará sua posição como o quarto maior produtor de petróleo do mundo, atrás de Arábia Saudita, Venezuela e Canadá. O país produz atualmente 2,8 milhões de barris por dia e busca aumentar gradualmente a produção até dobrá-la a 6 milhões de barris por dia.

De acordo com o boletim do FMI de 14 de julho, os preços reduzidos do petróleo acelerariam o crescimento econômico mundial, visto que preços por barril mais baixos resultam em contas de energia reduzidas para países que importam o “ouro negro”, com os EUA e a China.  Muitos setores também se beneficiariam desta redução, principalmente as empresas de transportes, companhias aéreas e a indústria química de base, uma grande consumidora de gás natural, cujos preços estão atrelados em parte aos preços do óleo bruto. As indústrias de pneumáticos que usam produtos derivados de petróleo também lucrarão com a queda dos preços. Além disso, os motoristas experimentariam um impulso em seu poder de compra. No geral, o consumo cresceria assim como a economia mundial. Esta tendência positiva, porém, precisa ser qualificada.

Por exemplo, para a União Europeia, se a taxa de câmbio entre o euro e o dólar continuar a cair, o lucro com os preços mais baixos do petróleo ficaria limitado, já que o preço do barril é calculado em dólar. Além do mais, alguns especialistas do mercado financeiro temem que os preços baixos tragam o risco de deflação para países importadores, o que reprimiria o crescimento. Por fim, os preços reduzidos criariam dificuldades para os países produtores de petróleo. A Arábia Saudita resistiria à crise graças aos seus confortáveis ativos financeiros, mas Venezuela, Irã, Nigéria ou Rússia seriam seriamente afetados e teriam que rever seus orçamentos.

Mesmo com estas advertências dependendo dos atores envolvidos, Aasim Husain, do FMI, diz que, no geral, os preços baixos do petróleo teriam repercussões positivas na economia mundial. Ele explica que os exportadores de petróleo poderão se adaptar diversificando suas fontes de renda.

O acordo nuclear com o Irã não resultará apenas em preços de petróleo mais baixos e suas repercussões. O acordo também representa oportunidades lucrativas de negócios.

O fim das sanções contra o Irã significa a liberação de ativos iranianos congelados estimados em 150 bilhões de dólares por alguns observadores. O embaixador iraniano revela que estes fundos irão sustentar o crescimento econômico em seu país auxiliando muitos investimentos. 

“Temos projetos e planos de ação em vários setores como energia, infraestrutura, setor imobiliário, medicina e indústrias diversas, incluindo a farmacêutica e a de alimentos...”

Os economistas dizem que o país tem grande necessidade de investimentos. De fato, o jornal francês Le Monde revela que o Irã deseja comprar 400 aviões até 2025 (preço de compra de 20 bilhões de dólares), construir nove terminais de aeroportos internacionais e investir nas malhas rodoviária e ferroviária. Estes investimentos futuros serão oportunidades de ouro para negócios internacionais.  

sebO levantamento das sanções também significa que o Irã se torna um mercado virgem, com seus 80 milhões de habitantes. De acordo com o Le Figaro, para o setor automotivo, por exemplo, o Irã poderia representar mais de 2 milhões de novos pedidos de produção de veículos de hoje até 2020. O mercado iraniano da aviação representa 20 bilhões, alimentando os pensamentos de Boeing e Airbus. O mercado para os eletrodomésticos também seria imenso: Frédéric Verwaerde, CEO Adjunto do Grupo SEB, diz que este novo mercado abre uma nova gama de possibilidades. Ele aponta que o movimento das vendas da SEB no Irã foi de 40 milhões de euros em 2005, um número que hoje está dez vezes menor por cota das alíquotas de importação e dos circuitos financeiros decrescentes. Os 80 milhões de habitantes do Irã também representam lucros em potencial para os gigantes da indústria alimentícia. As empresas francesas já estavam atentas e à frente dos outros muito antes do acordo ser fechado. Uma iniciativa do Movimento das Empresas da França (MEDEF) assistiu a uma delegação de 100 empresários visitar o Irã em fevereiro de 2014.

Graças ao acordo fechado em 14 de julho, o Irã se torna oficialmente um novo mercado econômico estratégico e recupera seu lugar no cenário econômico mundial, resultando em novos desafios e um grande estímulo para a economia global.

Última Atualização em 14/06/18

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