WIRECARD, uma retrospectiva do escândalo que atingiu a Alemanha

WIRECARD, uma retrospectiva do escândalo que atingiu a Alemanha

WIRECARD, você conhece? Saiba mais sobre este assunto recente:

O segredo é : não colocar todos os seus ovos em uma mesma cesta, e as vendas a descobrir às vezes podem funcionar bem!

Caso contrário, esta é a história do escândalo sobre o Wirecard.

Markus Braun, 50 anos, transformou o Wirecard AG, de uma empresa obscura baseada em uma pequena cidade nos arredores de Munique, em uma gigante global em pagamentos eletrônicos.

De sua posição na encruzilhada do comércio eletrônico, o negócio da Wirecard era extrair taxas de processamento das transações com cartão de crédito em nome das empresas. O caixa penetrou nos mercados emergentes, comprou empresas menores e firmou parcerias para alcançar mais clientes. Em suas demonstrações financeiras, as vendas e os lucros aumentaram constantemente.

O Wirecard afirmou processar $ 140 bilhões de dólares em transações por ano em nome de um quarto de milhão de empresas, tornando-se o rival da Square Inc. e do PayPal. O Wirecard foi comparado com os grandes bancos alemães.

E em seguida, os negócios se desfizeram à velocidade da luz - um colapso remanescente do colapso da empresa de energia Enron Corp. quase duas décadas atrás. Em 17 de junho, o Wirecard estava avaliado em mais de $ 14 bilhões de dólares. Oito dias depois, ele solicitou o equivalente alemão à falência.

2 BILHÕES DE DÓLARES EVAPORADOS

O Wirecard revelou em 18 de junho que, $ 2 bilhões de dólares, que seus executivos disseram estar em dois bancos nas Filipinas, na verdade não estavam lá. A soma é equivalente ao lucro total da empresa em mais de uma década.

A empresa e seus auditores dizem que o dinheiro perdido provavelmente nunca existiu. Reguladores e promotores alemães estão investigando as contas da empresa para descobrir se uma das empresas FinTech mais promissoras da Europa usou receita fictícia para aumentar as vendas e enganar os investidores sobre a saúde da empresa. Promotores em Munique, onde fica a Wirecard, disseram que uma equipe de promotores, policiais e especialistas em Tecnologia e informação realizaram buscas em três propriedades em Munique e duas em Viena.

Como as coisas desmoronaram tão rapidamente, só agora os investigadores estão começando a entender o que aconteceu. Uma tese central que está sendo estudada pelos promotores, empresa e seus auditores, é saber se o Wirecard usou os chamados, parceiros terceirizados independentes, supostamente fazendo negócios nos países onde não tinha licença, para criar fluxos de receita fictícias que preenchiam as contas bancárias que não existiam.

UMA FRAUDE SOFÍSTICADA

A Ernst & Young, que audita a empresa há anos, disse em 25 de junho que havia "indicações claras de que se tratava de uma fraude complexa e sofisticada envolvendo várias partes do mundo em diferentes instituições."

Promotores alemães, assim como autoridades da Singapura e Filipinas, estão investigando. Promotores e reguladores estão tentando determinar se os $ 2 bilhões de dólares que faltam foram uma cobertura para ocultar o fraco desempenho comercial ou parte de um truque para desviar dinheiro, ou ambos.

Markus Braun foi preso e acusado pelos promotores por aumentar o volume de vendas do Wirecard com renda falsa, e está sob fiança. Seu braço direito é procurado para interrogatório na Alemanha e nas Filipinas, onde autoridades dizem que ele pode ter estado antes de partir para outro país.

Um advogado de Markus Braun, que pediu demissão, disse que seu cliente estava cooperando totalmente com os promotores e se recusou a comentar mais. O Wirecard afirmou em comunicado que continuaria operando seus negócios de pagamentos durante sua reestruturação. A empresa disse que se pergunta se o dinheiro em questão realmente existiu e se terceiros já fizeram negócios em seu nome. Ela se recusou a comentar mais sobre os eventos.

O SETOR DE PAGAMENTOS

Os pagamentos são um setor financeiro em rápido crescimento que se beneficiou do boom das compras online e da popularidade em declínio do dinheiro. Empresas como a Wirecard estão criando software e dispositivos que os clientes usam para processar pagamentos e podem ajudar os clientes com sua contabilidade e se proteger contra fraudes.

O sucesso da Square e do PayPal provocou uma onda de transações. No ano passado, a Fidelity National Information Services pagou $ 35 bilhões de dólares para o Worldpay, rival da Wirecard.

O lugar do Wirecard nesse ecossistema não é óbvio e nem claro. A Wirecard afirma ser uma das principais empresas de pagamento da Europa. The report Nilson, um ranking amplamente seguido por participantes no setor de pagamentos, não incluiu a Wirecard em seus rankings, pois alega que a empresa, diferentemente da maioria de seus concorrentes, não explicava como o volume de pagamentos declarados eram divididos por diferentes tipos de negócios.

UMA SÉRIE DE AQUISIÇÕES

Markus Braun, cresceu em Viena, formou-se como cientista de computação, e ingressou no no Wirecard no ano de 2000, depois de um período como consultor de gerenciamento. Ele ajudou o proprietário da empresa, então conhecida como Electronic Billing Systems AG, a realizar uma série de aquisições e fusões na indústria nascente.

A empresa tornou-se pública na Alemanha em 2002 ao adquirir a InfoGenie, vítima da bolha da Internet, listada no mercado nacional de start-ups voltadas para a Internet. Braun foi nomeado Diretor Geral.

Braun aproveitou as perspectivas de crescimento do setor de pagamentos para empresas online, como jogos, apostas esportivas e música digital. A empresa, rebatizada de Wire Card - inicialmente apenas duas palavras - não mencionou pornografia no relatório anual divulgado no início de 2005, mas também era uma prioridade, segundo pessoas que trabalhavam lá.

Braun, falou em conferências sobre tecnologias financeiras (fintech) cheio de previsões sobre o futuro. Ele costumava usar gola alta preta, lembrando o icônico Steve Jobs da Apple.

Ele deixou grande parte da administração da empresa para seu diretor de operações, Jan Marsalek, de acordo com ex-funcionários. Marsalek estava com o Braun desde o início da empresa.

UMA SÉRIE DE PESQUISAS 

A investigação alemã sobre os $ 2 bilhões de dólares que faltam, se concentram em parte, nos parceiros de terceiros da Wirecard, incluindo o grupo Senjo, baseado na Singapura.

O negócio de pagamentos da Senjo é conhecido como adquirente de terceiros. O objetivo era ajudar o Wirecard a expandir seu alcance para novos mercados em partes da Ásia onde o Wirecard não era licenciado. O Wirecard afirmou que obteve uma redução nas transações e que a receita acabaria em contas bancárias controladas.

A Senjo, juntamente com outras duas empresas similares em Dubai e nas Filipinas, contribuiu com mais da metade da receita da Wirecard e até 95% de seus lucros nos últimos anos.

No final de 2015, Marsalek conversou com um executivo da Wirecard na Singapura sobre como preencher um “buraco” no lucro operacional para o próximo ano fiscal.

Funcionários do Senjo e de outras empresas de pagamento realizaram uma transação de $ 3,7 milhões de dólares envolvendo uma licença de software nos primeiros meses de 2016, cancelando contratos e faturas para fazer parecer que havia sido produzido no ano anterior.

Investigadores na Alemanha estão investigando se os pagamentos processados pelos parceiros terceirizados da Wirecard, incluindo Senjo, também contribuíram para um buraco no balanço da empresa. O auditor especial externo da Wirecard, KPMG, disse em abril que não conseguiu provar que todas as receitas de transações de cartão de crédito geradas por terceiros eram reais.

Os negócios realizados com o Senjo, e outros parceiros terceiros, ajudaram a Wirecard a aumentar constantemente seus lucros. Em 2018, com um valor de mercado de quase $ 30 bilhões de dólares, o Wirecard substituiu o Commerzbank, um dos maiores financiadores da Alemanha, no prestigiado índice Dax 30. Era uma nova tecnologia substituindo as antigas finanças.

Braun era o maior acionista da empresa, com mais de 7% da empresa. No topo do título, ela valia mais de um bilhão de dólares.

No início do mesmo ano, o denunciante apresentou uma queixa à empresa sobre transações supostamente atrasadas.

A Wirecard contratou o escritório de advocacia na Singapura, Rajah & Tann para investigar. A equipe de conformidade da Wirecard na Singapura, estava preocupada com o fato de que Marsalek e os executivos seniores da Singapura, que organizaram as transações teriam sido nomeados pelo conselho da Wirecard para supervisionar a investigação.

A Wirecard disse no ano passado que a investigação de Rajah & Tann, não encontrou evidências conclusivas de fraude ou corrupção. A empresa nunca divulgou a versão completa do relatório final. A empresa descreveu a investigação como independente.

EM 2019 TUDO SE ACELEROU

O Financial Times informou pela primeira vez as alegações do denunciante no início de 2019, o que fez com que os preços das ações da empresa despencassem. Alguns meses depois, um investimento de $ 1 bilhão de dólares organizado pelos executivos do conglomerado de tecnologia japonês SoftBank impulsionou a empresa. Em outubro, artigos do Financial Times questionaram o relacionamento da Wirecard com parceiros de terceiros.

Braun estava convencido de que a empresa não tinha nada a esconder. "Todos os relacionamentos são autênticos", disse ele em uma chamada para investidores.

A pedido de alguns investidores, incluindo o SoftBank, ele convidou a KPMG para realizar uma auditoria externa.

Durante a investigação da KPMG, Braun, Marsalek e o restante do conselho da Wirecard mudaram o administrador das contas bancárias que deveriam deter $ 2 bilhões de dólares de um administrador na Singapura para um pequeno escritório de advocacia nas Filipinas.

A KPMG disse em um relatório, que não podia provar que a renda ou o fluxo de caixa, eram reais porque o Senjo e outros terceiros não cooperariam.

Braun disse que nenhuma evidência incriminadora foi encontrada no relatório da KPMG, e que as alegações sobre a empresa e sua contabilidade feitas por vendedores à descoberto, e na mídia não foram confirmadas.

A Wirecard disse ao seu auditor regular, Ernst & Young, que os fundos foram transferidos para dois bancos nas Filipinas, o BDO Unibank e o Banco das Ilhas Filipinas.

Em 18 de junho de 2020, a Ernst & Young disse que tentou verificar as contas, mas não conseguiu. Os dois bancos filipinos disseram no dia seguinte que as cartas que a Wirecard apresentou aos auditores eram falsas.

O valor de mercado da Wirecard entrou em colapso. Braun foi forçado a vender quase 150 milhões de euros em ações da empresa. Em 22 de junho, ele embarcou em um avião da Áustria e voou para Munique, onde se rendeu à polícia.

Marsalek foi demitido como diretor de operações. Nós não sabemos onde ele está. As autoridades filipinas dizem que ele foi visto pela última vez no país em maio.

Siga acompanhando este caso...

Última Atualização em 27/07/20

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