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A recente compra milionária de ativos da Petrobras: Insider trading ou pura sorte?

A recente compra milionária de ativos da Petrobras: Insider trading ou pura sorte?

Semana passada nós vimos um caso surpreendente: um investidor desconhecido comprou 4 milhões em ações da Petrobras, poucas horas antes da mudança de presidência na estatal. Seria um grande acaso ou um caso de insider trading? A última opção é certamente a mais provável, visto o valor enorme do investimento e o valor ainda maior do lucro obtido: 18 milhões de reais.

Insider trading é o nome que se dá para o trade feito apartir de informações privilegiadas, vindas de dentro da empresa. Ou seja, alguém de dentro da empresa - ou de dentro do próprio governo, visto que estamos falando de uma estatal, teria repassado a informação que motivou o comprador anônimo a investir tamanha quantia de dinheiro em ações da Petrobras. Ele sabia de antemão que as ações iriam cair e por isso, ao comprar à vista e apostando na queda, obteve um preço mais baixo, lucrando com a diferença de valores. A prática do insider trading é criminosa e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) logo se mobilizou para investigar essa transação atípica.

A compra das ações sob contrato de opções fez com que o ou os compradores misteriosos lucrassem mais de 18 milhões com a queda dos papéis que ocorreria logo no dia seguinte. A corretora Tullet Prebon, responsável pela transação, não respondeu ao contato da reportagem de Malu Gaspar, do jornal O Globo.

Segundo o InfoMoney:

“Duas ordens de compra foram realizadas naquele dia: uma de 2,6 milhões de opções, às 17h35, e outra às 17h44, de 1,4 milhão de papéis, ambas com preço de R$ 0,04. A movimentação revelada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão/Broadcast a partir de dados da B3, a Bolsa de São Paulo, indica que um investidor pode ter lucrado R$ 18 milhões com as opções, negociadas em volume que só faria sentido se ele realmente acreditasse que as ações iriam cair ao menos 8% no pregão seguinte.”

A compra exorbitante aconteceu algumas horas depois de uma reunião do presidente Jair Bolsonaro com seus principais ministros. O assunto era exatamente o preço dos combustíveis e a troca do comando da estatal. A compra foi feita no mesmo dia, 18 de fevereiro, antes do Presidente fazer uma live noturna onde diz vagamente que mudanças aconteceriam na Petrobras. No dia seguinte, Jair Bolsonaro demitiu Robert Castello Branco e colocou em seu lugar o general Joaquim Silva Luna.

Segundo o Portal G1, a CVM, pressionada por muito minoritários da estatal, informou no dia 05 de março que abriu alguns processos para investigar se a compra foi feita efetivamente com uso de informação privilegiada e por quem.

Segundo O Estadão, é muito complexo comprovar um caso de insider trading. O advogado Carlos Martins Neto diz que para que o crime seja comprovado,

“São utilizados como parâmetro a atipicidade das operações, seu timing (em relação à divulgação da informação relevante) e os vínculos da pessoa que efetuou a negociação com pessoas que comprovam ou presumidamente tinham posse da informação relevante ainda não divulgada.”

No histórico do insider trading estão, por exemplo, o caso do brasileiro Eike Batista, condenado a 8 anos de prisão e multa record aplicada pela CVM de R$ 536,5 milhões por crime de insider trading com ações da OSX, também segundo a InfoMoney.

Nos resta aguardar os resultados das investigações enquanto alguém, ou alguns, se beneficiam de um dos maiores lucros da história com ações da Petrobras.

Última Atualização em 09/03/21

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