Quais são as consequências da inflação para a economia do Brasil?

Admin05/05/22 (atualização 1 semana, 6 dias atrás)inflação, economia, Brasil, consumo, desemprego, taxa

Quais são as consequências da inflação para a economia do Brasil?
Quais são as consequências da inflação para a economia do Brasil?

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A inflação no Brasil fechou o ano de 2021 em 10,06%, sendo a maior registrada desde 2015, quando o índice fechou em 10,67%. Vale lembrar que 2015 foi o ano em que teve início a profunda recessão econômica que ainda pressiona a economia brasileira.

Entre 2016 e 2020, o índice sequer chegou próximo dos dois dígitos. Porém, pressionados pelos efeitos da pandemia na economia, os preços dispararam no ano passado, fazendo com que o fantasma da inflação voltasse a assustar os consumidores brasileiros. A meta de inflação divulgada para o ano de 2021 pelo Banco Central era de 3,25% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, ou seja, mesmo com a tolerância, o índice ficou bem acima da meta. Para 2022, a inflação deve continuar alta, no entanto, um pouco menor do que no ano passado. De acordo com o boletim Focus, divulgado pelo BC na última semana de abril, a inflação para este ano deve ser de 7,65%.

Vale lembrar que o boletim Focus tem como base a projeção de 100 instituições integrantes do mercado financeiro. Além da inflação, o boletim traz estimativas da taxa de juros e do PIB. É notório que a inflação alta traz diversas consequências econômicas. Sendo assim, este post tem o objetivo de expor as principais consequências para a economia do Brasil em virtude do alto índice inflacionário.

Principais consequências da inflação alta para a economia brasileira

Como já foi dito, a inflação elevada traz diversas consequências para a economia. Entre as principais podemos destacar:

  • Desvalorização da moeda
  • Redução no consumo
  • Redução de investimentos na produção
  • Aumento da taxa de desemprego
  • Aumento na taxa de juros

A partir de agora trataremos sobre cada uma dessas consequências. Vamos lá.

1. Desvalorização da moeda

Um dos maiores problemas da inflação elevada é a desvalorização da moeda, que traz como consequência a diminuição do poder de compra dos consumidores. Isso ocorre porque os aumentos salariais, via de regra, não acompanham  a alta da inflação. Dessa forma, os trabalhadores e aposentados não conseguem manter a mesma capacidade de compra ao longo do tempo.
Além disso, enquanto o real perde valor, outras moedas, incluindo o dólar, se valorizam. Como consequência, os produtos importados se tornam mais caros.

Por outro lado, as exportações ganham força, já que os produtos brasileiros, que normalmente são negociados em dólar, ficam mais caros também.

É exatamente o que ocorreu no Brasil em 2021. Com a inflação passando dos dois dígitos, o real perdeu valor, fazendo com o que os salários fossem corroídos e o dólar se valorizasse. Com a expectativa de uma inflação menor em 2022, apesar de ainda alta, espera-se que a perda do poder de compra seja menor e que o dólar possa arrefecer um pouco.

2. Redução no consumo

as consequências da inflação para a economia do Brasil

Como resultado da corrosão do poder de compra dos consumidores devido a desvalorização da moeda, ocorre a redução do consumo. Isso acontece porque a alta dos preços provocada pela inflação, derrete parte do salário. Dessa maneira, não é possível adquirir a mesma quantidade de produtos ou serviços com o mesmo salário.

Outro fator que provoca a diminuição do consumo é o aumento do desemprego, outra consequência desastrosa da inflação alta. Como para 2022 há uma previsão de redução de preços, principalmente de produtos alimentícios, pode haver uma melhora nos índices de consumo da população. Apesar disso, como a taxa de juros deve continuar alta, o mercado imobiliário deve continuar bastante pressionado, o que é uma péssima notícia para a economia brasileira.

3. Redução de investimentos na produção

Como as pessoas passam a consumir menos, naturalmente a indústria passa a produzir menos, pois a demanda diminui.
Além disso, muitos insumos usados nas indústrias são importados. Como a inflação provoca a alta do dólar, esses insumos passam a ter um peso ainda maior sobre os custos de produção. Como consequência natural da redução dos níveis de produção, há um aumento nas taxas de desemprego.

Mas como o dólar tende a perder valor frente ao real neste ano e há a expectativa de aumento no consumo, podemos ter uma retomada nos investimentos da produção industrial, apesar de que essa retomada deve ser lenta.

4. Aumento na taxa de desemprego

Talvez a mais dramática consequência da taxa de inflação elevada seja a perda de inúmeros postos de trabalho. O que provoca esse aumento no desemprego é justamente a redução dos investimentos no setor produtivo. Com a redução, as empresas acabam ficando com excedente de mão de obra.

Infelizmente, o desemprego acaba aumentando o número de sem-tetos, de mendigos e até aumentando os índices de violência. Portanto, podemos dizer que o aumento do desemprego acaba se transformando em uma tragédia humanitária. As estimativas de redução da inflação para esse ano são uma ótima notícia para aqueles que estão à procura de emprego, visto que se se aumenta os níveis de produção, devido ao aumento do consumo, há a possibilidade de criação de vagas de emprego também.

Esperamos que isso realmente possa acontecer, lembrando que o índice de desemprego está atualmente em 11,2%.

5. Aumento na taxa de juros

Para tentar frear o avanço da inflação, o governo acaba tomando a decisão de aumentar as taxas de juros (SELIC). Essa medida é tomada por dez entre dez chefes de governo no mundo. É a principal medida de controle inflacionário. E seria um erro dizer que ela não funciona, afinal, como o aumento nos juros ajuda a reduzir o consumo, reduzindo a demanda, é evidente que os preços são forçados para baixo.

O problema é que a taxa de juros elevada, ao reduzir o consumo, reduz também a atividade produtiva e a atividade imobiliária, pois com os juros altos a venda de imóveis fica bastante prejudicada. Dessa forma, a indústria e a construção civil perdem força, provocando demissões e, consequentemente, o aumento do desemprego.

A SELIC está em 11,75%, mas há previsão de que possa encerrar o ano em 13%. Isso porque o governo teme que a inflação possa ganhar força se os níveis de consumo subirem demais.

Conclusão

Como podemos ver, a inflação alta é bastante nociva à economia de um país, justificando todo o esforço que é empenhado pelos governantes para controlá-la. Mas o que mais chama a atenção, é que todos os fatores que surgem como consequência da inflação estão diretamente interligados.

Senão vejamos, a perda de valor da moeda gera redução no consumo, que por sua vez gera redução nos investimentos na produção, que por sua vez provoca aumento do desemprego. Já a alta dos juros é uma medida tomada justamente para evitar tudo isso. Portanto, não se pode deixar de acompanhar os índices de inflação em um só momento. A perda de controle sobre ela pode ser desastroso para a economia de um país.

Não podemos esquecer que o Brasil já teve inflação acima de 6.000% nos anos 1980. Não se pode permitir que esse tempo volte, de forma nenhuma.

Última atualização em 05/05/22

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