Toda semana, milhares de investidores brasileiros descobrem os ETFs americanos por meio de um vídeo no YouTube, de um podcast ou de um artigo sobre investimentos.
👉 Alguns nomes aparecem o tempo todo: VOO, QQQ, SCHD e também VTI. Esses ETFs dos EUA viraram referência para muitos investidores.
O custo muito baixo, a diversificação e a capacidade de replicar com eficiência grandes índices da bolsa explicam a enorme popularidade deles entre os investidores americanos. Para o investidor brasileiro, porém, o acesso a ETFs como VOO ou QQQ nem sempre acontece da mesma forma que a compra de ativos disponíveis no mercado local.
Na prática, tudo depende da corretora utilizada e do acesso que ela oferece aos mercados internacionais.
Mas como um investidor brasileiro pode ter acesso a alguns dos produtos financeiros mais populares do mundo?
Ao contrário do que muitos imaginam, o problema normalmente não está na sua corretora nem na sua conta de investimentos. Ele vem principalmente de restrições regulatórias que podem limitar a comercialização de determinados produtos financeiros para investidores de varejo.
Isso significa que é preciso desistir de investir nesses ETFs? Felizmente, não. Na maioria dos casos, existem alternativas disponíveis no mercado brasileiro ou internacional que oferecem exposição semelhante. E, em algumas situações específicas, ainda é possível acessar diretamente os ETFs americanos.
🎯 O que você vai encontrar neste artigo
Neste guia, explicamos como os investidores brasileiros podem acessar ETFs americanos (ETFs dos EUA), quais alternativas priorizar e como investir neles quando isso for possível.
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O que são ETFs americanos?
Os ETFs (Exchange Traded Funds) americanos são fundos de índice negociados em bolsa que permitem investir, em uma única operação, em um grande número de empresas.
Os ETFs americanos mais populares:
- ✅ VOO (Vanguard S&P 500 ETF), que replica o índice S&P 500;
- ✅ QQQ (Invesco QQQ Trust), focado nas 100 principais empresas não financeiras da Nasdaq;
- ✅ SCHD (Schwab U.S. Dividend Equity ETF), especializado em empresas americanas que pagam dividendos de qualidade;
- ✅ VTI (Vanguard Total Stock Market ETF), que oferece exposição a todo o mercado de ações dos Estados Unidos.
Os ETFs americanos estão entre os produtos de investimento mais usados no mundo, principalmente por causa das baixas taxas, diversificação e alta liquidez. Por isso, é natural que muitos investidores brasileiros também queiram incluí-los na carteira.
Como os investidores brasileiros podem acessar ETFs americanos?
Ao contrário do que muitos pensam, essa restrição não vem das corretoras. No Brasil, não existe uma regulamentação equivalente à europeia PRIIPs, mas algumas corretoras podem limitar o acesso a determinados produtos financeiros internacionais para investidores de varejo, seja por questões de suitability (adequação ao perfil do investidor) ou por restrições operacionais e regulatórias locais.
O que é importante saber sobre regulamentação e tributação?
- ✅ Os ETFs americanos podem ser acessados diretamente por investidores brasileiros por meio de corretoras internacionais, mas estão sujeitos à tributação brasileira de 15% sobre ganhos de capital e à retenção de 30% sobre dividendos nos EUA (sem acordo para redução dessa alíquota para pessoas físicas);
- ✅ Não há exigência de documento padronizado de informações (KID) para investidores brasileiros, mas é necessário declarar todos os ativos e rendimentos à Receita Federal brasileira;
- ✅ Investidores com status de investidor profissional (patrimônio superior a R$ 10 milhões) podem ter acesso a uma gama mais ampla de produtos, incluindo ETFs americanos diretamente, dependendo da corretora.
Alternativas disponíveis para investidores brasileiros
A boa notícia é que os investidores brasileiros não ficam sem exposição aos mercados americanos. Existem alternativas como ETFs internacionais listados na B3 (BDRs de ETFs), ETFs UCITS (domiciliados na Europa) e até mesmo a compra direta de ETFs americanos por meio de corretoras internacionais.
Alternativas aos principais ETFs americanos:
| ETF americano | Índice / exposição replicada | Alternativa disponível no Brasil | TER (ETF dos EUA) | TER (Alternativa) |
|---|---|---|---|---|
| VOO | S&P 500 (as 500 maiores empresas americanas) | IVVB11 (BDR de ETF) ou CSPX (UCITS ETF, disponível em corretoras como Avenue) | 0,03 % | 0,23 % (IVVB11) / 0,07 % (CSPX) |
| QQQ | Nasdaq-100 (as 100 principais empresas não financeiras da Nasdaq) | QQQB34 (BDR de ETF) ou EQQQ (UCITS ETF, disponível em corretoras como Avenue) | 0,20 % | 0,23 % (QQQB34) / 0,20 % (EQQQ) |
| VTI | CRSP US Total Market (quase a totalidade do mercado acionário americano) | Não há equivalente perfeito na B3; alternativas incluem VXUS (exposição internacional) ou ETFs UCITS como VWCE (disponível em corretoras internacionais) | 0,03 % | 0,22 % (VWCE) |
| SCHD | Ações americanas de qualidade com dividendos elevados | DIVO11 (ETF brasileiro de dividendos) ou UCITS ETFs como IDVY (disponível em corretoras internacionais) | 0,06 % | 0,50 % (DIVO11) / 0,25 % (IDVY) |
* O IVVB11 e o QQQB34 são BDRs de ETFs, negociados na B3, e replicam o desempenho dos ETFs americanos VOO e QQQ, respectivamente. Já os ETFs UCITS, como CSPX e EQQQ, são domiciliados na Europa e podem ser acessados por meio de corretoras internacionais como Avenue e Interactive Brokers.
** O DIVO11 é um ETF brasileiro que investe em empresas brasileiras pagadoras de dividendos, enquanto o IDVY é um UCITS ETF que replica um índice de dividendos globais, com exposição a empresas americanas.
Vale destacar: as taxas de administração (TER) são um critério importante, mas não devem ser o único ponto de comparação. A qualidade da replicação do índice, a liquidez do fundo, seu patrimônio e até o tratamento tributário também podem influenciar a escolha de um ETF.
Para a maioria dos investidores pessoa física, essas alternativas permitem obter uma exposição muito próxima à dos grandes ETFs americanos, com a vantagem de estarem disponíveis no mercado brasileiro ou por meio de corretoras internacionais acessíveis.
Ainda é possível comprar ETFs americanos diretamente?
Apesar das restrições, algumas situações específicas ainda permitem o acesso direto a ETFs americanos.
As principais possibilidades:
- ✅ Investidores com status de investidor profissional (patrimônio superior a R$ 10 milhões) podem ter acesso a ETFs americanos diretamente, dependendo da corretora;
- ✅ Investidores que abrem conta em corretoras internacionais (como Avenue, Interactive Brokers, TD Ameritrade) podem comprar ETFs americanos diretamente, sujeitos à tributação brasileira de 15% sobre ganhos de capital e à retenção de 30% sobre dividendos nos EUA;
- ✅ Pessoas que moram fora do Brasil em geral não estão sujeitas às mesmas restrições e podem investir livremente em ETFs americanos, dependendo da regulamentação do país de residência.
Para muitos investidores pessoa física brasileiros, as alternativas listadas acima (BDRs de ETFs e ETFs UCITS) podem representar uma solução simples e adequada, enquanto o acesso direto aos ETFs americanos continua sendo uma opção por meio de corretoras internacionais.
💡 Você sabia?
Os ETFs americanos continuam acessíveis a investidores institucionais e a alguns investidores profissionais. As restrições dizem respeito principalmente aos investidores de varejo.
Como escolher sua corretora para investir em ETFs americanos… ou em suas alternativas?
Como o acesso direto aos ETFs americanos depende da corretora e dos mercados internacionais disponíveis, a escolha da corretora continua sendo essencial.
Critérios para escolher uma corretora:
- ✅ variedade de ETFs internacionais e BDRs de ETFs disponíveis;
- ✅ taxas de corretagem;
- ✅ custos de câmbio para investimentos em moedas estrangeiras;
- ✅ bolsas acessíveis;
- ✅ qualidade da plataforma de pesquisa e das ferramentas de análise;
- ✅ eventuais taxas de custódia ou de inatividade.
Uma boa corretora vai permitir acessar com facilidade várias centenas, ou até vários milhares, de ETFs internacionais ou alternativas disponíveis no mercado brasileiro. Porém, nem todas as corretoras oferecem acesso ao mesmo universo de ETFs ou BDRs de ETFs, nem às mesmas bolsas. Comparar taxas, moedas disponíveis e ferramentas de pesquisa pode, portanto, fazer uma diferença real no longo prazo.
Pontos-chave para lembrar
Não poder comprar diretamente ETFs como VOO ou QQQ pode parecer frustrante à primeira vista. No entanto, essa restrição vem principalmente de questões regulatórias e operacionais, e não da qualidade dos ETFs americanos.
Na prática, essa limitação costuma ter menos impacto do que se imagina. As alternativas disponíveis no Brasil (BDRs de ETFs) e os ETFs UCITS (disponíveis em corretoras internacionais) geralmente permitem obter uma exposição muito próxima à dos grandes índices americanos, com características parecidas em termos de diversificação e custos.
Para a maioria dos investidores brasileiros, no fim das contas, o objetivo não é comprar um ETF americano a qualquer custo, mas obter uma exposição equivalente nas melhores condições. As alternativas apresentadas permitem justamente alcançar esse objetivo respeitando o arcabouço regulatório e operacional brasileiro.