ePrivacy and GPDR Cookie Consent

Como investir no mercado e na bolsa chinesa?

Como investir no mercado e na bolsa chinesa?

A China é uma exceção mundial. Nunca um país cresceu tanto e em tão pouco tempo. Este país, com mais de um milhão de pessoas, que até a pouco tempo usavam bicicletas como transporte principal, possui hoje, o maior mercado automobilístico do mundo. A China também se tornou o maior mercado de celulares do mundo e está quase desbancando o Estados Unidos no pódio do mercado de detalhes. E na corrida das maiores economias do mundo, ela está cada vez mais próxima da liderança, só perdendo por enquanto para os Estados Unidos.

O HSBC estima que em 2030 a China se tornará a primeira economia mundial. Ela não só terá o maior PIB do mundo, como também será o país que mais contribuirá para o crescimento econômico do planeta. Com todo este crescimento, é natural que muitos investidores se interessem hoje em dia no mercado chinês. Neste artigo nós vamos detalhar os prós e o contras dos investimentos na China, e iremos também indicar as opções de acesso a este mercado.

Gráfico do mercado de ações chinesas à longo termo: 

shangai

É uma boa idéia investir em ações chinesas?

Se formos escolher um único bom argumento para investir na China, este argumento seria o crescimento. O boom da economia chinesa se deve em linhas gerais, a um investimento massivo do governo na urbanização planejada, nas infraestruturas de transporte com a construção de estradas e de aeroportos, além de linhas de trem de alta velocidade. Muitos arranha-céus, comerciais e residenciais, também foram, e são continuamente construídos. E a lista não para por aí.

A mundialização da economia fez com que a China se tornasse a grande usina do mundo. Hoje ela produz eletrônicos, roupas, brinquedos, remédios... Essa abertura progressiva do governo chinês ao resto do mundo, fez com que, de um lado, os próprios chineses se tornassem grandes consumidores, e do outro lado, fez o mercado chinês ser muito atrativo aos olhos do investimento externo. 

Estes dois fatores, unidos pela tecnologia da internet móvel, fez surgir uma nova classe média chinesa, que não para de crescer. Hoje os chineses estão cada vez mais abandonando as zonas rurais para viver nas grandes cidades e estão adotando pouco a pouco muitos hábitos ocidentais e americanos. Já faz parte do modo de vida destes novos chineses sentar-se num Starbucks, usar um tênis da Nike, andar em carros da GM e usar os celulares da Apple, por exemplo.

Ou seja, depois de se tornar a usina do mundo, agora a China quer se tornar um país de grande consumo. As vendas em detalhes só aumentam e as empresas chinesas crescem ano após ano. Paralelamente, o governo chinês continua investindo em infraestrutura e novas cidades modernas não param de surgir. Tudo isso nos faz pensar que as ações chinesas devem continuar se valorizando de maneira vertiginosa.

E na prática, como investir na China?

Vária ações chinesas já podem ser compradas na Bolsa Brasileira por meios dos BDR’s, ou seja, dos Brazilian Depositary Receipts, certificados de depósito de valores mobiliários que representam a mesma ação no exterior. Estes certificados permitem que qualquer brasileiro compre ações de empresas estrangeiras. Verifique se o seu corretor propõe BDR’s de ações chinesas.

O CFD é uma segunda maneira de acessar às ações chinesas. Nesta situação, você não é o detentor da ação, mas apenas de alguns contratos vinculados a elas. Novamente, fale com o seu corretor, ele confirmará que é mais fácil possuir CFD do que as próprias ações.

A terceira opção são os ETF’s, fundos que reproduzem um índice da bolsa que detêm várias ações. Este conjunto de ações é negociado junto, e não diferencia as ações entre si, o que acaba simplificando bastante as transações. Essa opção é bem prática e já abarca o mercado chinês no Brasil.

E por fim, existem fundos comuns de investimento criados e administrados por empresas de gestão de investimentos que se especializaram no mercado chinês.

Existem pegadinhas por trás do investimento na China?

Investir no exterior não é a mesma coisa que investir no Brasil. Ou seja, riscos sempre vão existir, sejam eles de câmbio, mudança de legislação e de transparência, além da volatilidade. Os riscos também podem ser de ordem local, como corrupção, guerras e catástrofes naturais. Além disso, você pode estar exposto à problemas operacionais. Para ilustrar o caso, os mercados de Shanghai, de Shenzhen e de Hong Kong, pode em certos casos, impor uma abertura de conta com um corretor chinês. Mas antes de se meter nessa encrenca, veja se o seu corretor brasileiro pode negociar com estes mercados.

O crescimento chinês é realmente muito atrativo, mas uma coisa é certa: é sempre bom manter um pé atrás. Todo investidor deve estar plenamente consciente dos riscos de flutuação de câmbio, das diferenças de regulamentação, da enorme influência que tem o governo chinês em todos os aspectos da sociedade e da economia e, além do mais, dos riscos de fraude. As ações chinesas são mais suscetíveis do que as americanas a serem atacadas por vendedores quebrados. Mas os maiores riscos que correm todo investidor que mira a China, são em linhas gerais, as tensões comerciais e a possível freada no crescimento econômico.

O Shanghai Composite, índice que segue todas as ações negociadas na bolsa de Shanghai, perdeu 25 % em 2018 por contas das preocupações relativas à guerra comercial latente com os Estados Unidos e por causa da diminuição do crescimento econômico chinês neste mesmo ano.

Tensões comerciais como esta, podem ter um efeito mais longo do que o esperado. Algumas empresas americanas tiraram suas produções da China e as implantaram no Vietnã, na Índia ou no México, por exemplo. Se a guerra comercial continuar durando, a economia e a indústria tecnológica chinesa podem acabar recebendo uma pressão adicional. Do outra lado, a decisão americana de mudar o endereço de suas indústrias pode chatear a China, que em resposta, pode boicotar as marcas americanas criando um círculo vicioso e desgastante.

Existem outros riscos, além destes enumerados. O governo chinês exerce um poder enorme, e pode se quiser, censurar o conteúdo vinculado por empresas que venham a quebrar as regras do governo. Já vimos isso acontecer, e certas empresas já tiveram que fechar suas lojas ou cancelar certos serviços. Entretanto, se um dia o mercado chinês permitir a entrada de empresas como o Google, o Facebook e a Netflix, certas empresas chinesas que fazem muito dinheiro começarão a sofrer com a concorrência.  

Mas apesar de todos estes riscos, a quantia de ações fraudulentas é muito baixa, pois as empresas chinesas passam por um pente fino financeiro muito criterioso.

O dragão e o mercado

A queda do Shanghai Composite nos anos de 2015 e de 2018, mostrou que o mercado chinês pode não ser tão estável, e que os investidores novatos que aplicam à curto termo, acabam se dando bem neste mercado. Mas isso ocorre por uma razão muito clara: a China é o país que mais oferece oportunidades de grande crescimento à longo prazo. A classe média chinesa não para de crescer, assim como os seus centros urbanos, e o desenvolvimento tecnológico.

Apesar das dificuldades que o mercado oriental pode implicar, é bem claro que o crescimento da China deve continuar superando o crescimento ocidental. E o investimento em ações chinesas, seja por ETF, BDR, ou ações individuais, tem um incrível potencial de crescimento.

Última Atualização em 27/09/21

Continue esta discussão no Forum